As Brigadas Científicas da campanha Salve uma Ave Marinha 2026 chegaram ao fim, mobilizando 127 participantes na ilha da Madeira, entre 23 de outubro e 5 de novembro. Ao longo deste período, foram registadas 68 aves marinhas encandeadas em seis concelhos da ilha, das quais 65 foram recuperadas e libertadas em segurança junto ao mar.
A maioria das aves registadas foram cagarras (Calonectris borealis), num total de 64 indivíduos, seguindo-se dois roques-de-castro (Hydrobates castro). Foram ainda registadas uma freira-da-madeira (Pterodroma madeira) e uma alma-negra (Bulweria bulwerii), ambas encontradas mortas. No total, foram contabilizadas três aves mortas.
roque-de-castro (Hydrobates castro) a ser libertado junto ao mar
127 participantes unidos pela conservação das aves marinhas
A campanha reuniu 74 voluntários regionais e 19 voluntários não-residentes, que viajaram para a Madeira exclusivamente para participar nesta iniciativa. Contou ainda com a colaboração de equipas da SPEA e de várias entidades parceiras do projeto LIFE Natura@night, num total de 34 colaboradores.
O trabalho de campo combinou a monitorização sistemática realizada pelas Brigadas Científicas com a participação da comunidade. Das 68 aves registadas, 34 foram encontradas durante os trajetos noturnos das brigadas, enquanto as restantes foram sinalizadas através de alertas da população e de ações oportunísticas de resgate. Esta complementaridade demonstra a importância de envolver a comunidade na deteção e recuperação de aves marinhas encandeadas.
As aves registadas pela SPEA distribuíram-se por seis concelhos da Madeira: Machico, com 22 ocorrências, Santana e Calheta, com 15 cada, Funchal, com oito, Câmara de Lobos, com cinco, e Santa Cruz, com três.
Voluntários da edição de 2026 da campanha Salve uma Ave Marinha
Um esforço conjunto para reduzir a poluição luminosa
A sensibilização para os impactos da poluição luminosa foi também uma componente importante da campanha. Durante este período, cinco municípios da Madeira – Câmara de Lobos, Funchal, Santa Cruz, Machico e Santana – associaram-se ao Mega Apagão pela cagarra, reduzindo ou desligando a iluminação exterior em zonas identificadas como prioritárias para a conservação das aves marinhas.
A redução da iluminação artificial durante os períodos críticos de saída dos juvenis é uma medida fundamental para diminuir o risco de encandeamento e contribuir para que estas aves consigam chegar em segurança ao mar.
A SPEA agradece a todos os voluntários, municípios e entidades parceiras que se juntaram a esta iniciativa. O seu empenho e colaboração foram essenciais para o trabalho de resgate realizado ao longo da campanha.
Apagão a decorrer no Aeroporto Internacional da Madeira, uma das 19 entidades aderentes
A missão ainda não terminou
Apesar de as campanhas organizadas pela SPEA terem chegado ao fim, até meados de novembro poderão continuar a ocorrer quedas de aves marinhas desorientadas pela iluminação artificial.
Por isso, a SPEA apela a todos os voluntários regionais e à população em geral para que se mantenham atentos e, sempre que possível, continuem a realizar patrulhas de forma independente. Ao encontrar uma ave marinha em dificuldades, deverão contactar a Rede SOS Vida Selvagem através do número 961 957 545.
cagarra (Calonectris borealis)