Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Biodiversidade e o Dia Europeu da Rede Natura 2000, SPEA-BirdLife alerta para a vulnerabilidade dos ecossistemas insulares e lança um novo instrumento de apoio à conservação na Madeira – o novo Manual de Boas Práticas para a Prevenção e Gestão de Espécies Invasoras na Madeira, desenvolvido no âmbito do projeto BESTLIFE2030 STOP Predators.
Os ecossistemas insulares estão entre os mais importantes, e simultaneamente mais frágeis, do planeta. O isolamento geográfico das ilhas ao longo de milhões de anos permitiu o aparecimento de espécies únicas, muitas delas endémicas, que não existem noutro local do mundo.
A Madeira é um dos exemplos mais relevantes dessa riqueza natural no Atlântico, constituindo um verdadeiro hotspot de biodiversidade. A sua origem vulcânica e relevo acentuado favoreceram a evolução de habitats singulares, desde a Floresta Laurissilva, Património Mundial Natural da UNESCO, até às falésias costeiras e ilhéus oceânicos onde nidificam importantes colónias de aves marinhas. Estas aves, um dos grupos animais mais ameaçados à escala global, enfrentam atualmente uma das maiores ameaças à biodiversidade insular: a introdução de predadores terrestres.
Por terem evoluído na ausência desses predadores, não desenvolveram mecanismos de defesa contra eles. Hoje, ratos, gatos e furões representam uma das principais ameaças à sua sobrevivência, colocando em risco populações inteiras e o equilíbrio ecológico desses ecossistemas frágeis. A presença de herbívoros, plantas e artrópodes com carácter invasor, são, também, causadores de perda de habitat e decréscimo do sucesso reprodutor de aves marinhas.
Tendo em vista a prevenção e mitigação dos impactos causados por espécies invasoras em colónias de aves marinhas da Madeira, aliando investigação científica, sensibilização ambiental e envolvimento comunitário, teve início em 2025, o projeto BESTLIFE2030 STOP Predators, coordenado pela SPEA-BirdLife e cofinanciado a 95% pela União Europeia através do programa BESTLIFE2030.
“Este projeto nasceu após verificarmos que as aves marinhas da Madeira enfrentavam dificuldades devido à presença de espécies invasoras nas suas colónias. Proteger estas espécies exige não só conhecimento científico, mas também o envolvimento ativo das comunidades e uma visão de longo prazo. É essa ligação entre pessoas, território e conservação que queremos reforçar.”, afirma Cátia Gouveia, coordenadora regional da SPEA-BirdLife.
O novo Manual de Boas Práticas para a Prevenção e Gestão de Espécies Invasoras na Madeira surge assim como uma ferramenta prática de apoio à conservação e à gestão de áreas naturais, promovendo uma abordagem preventiva, ética e participativa na mitigação dos impactos causados por espécies invasoras na biodiversidade da região, possibilitando uma proteção que é transversal a todos os diversos ecossistemas.
Destinado à comunidade madeirense, incluindo residentes, operadores turísticos, organizações não governamentais, entidades gestoras e serviços públicos, este manual destaca a importância de conciliar ciência, ética, bem-estar animal e responsabilidade pública na conservação da biodiversidade da Madeira.
O documento pretende apoiar decisões mais informadas no terreno e incentivar uma atuação conjunta entre diferentes setores, contribuindo para a proteção do património natural da região e para a resiliência dos ecossistemas insulares perante os desafios ambientais atuais e futuros.