No âmbito do projeto BESTLIFE2030 STOP Predators, coordenado pela SPEA BirdLife, a equipa tem dado continuidade aos testes de ferramentas de monitorização para detetar a presença de espécies invasoras nas colónias de aves marinhas.
Estas aves, que evoluíram na ausência de predadores terrestres, são particularmente vulneráveis à introdução de espécies invasoras, capazes de comprometer o sucesso reprodutor e alterar o equilíbrio ecológico das áreas de nidificação. Para melhor compreender e reduzir estes impactos, o projeto procura avaliar a presença dessas espécies nas colónias e desenvolver estratégias eficazes de mitigação.
Uma das tecnologias integradas neste esforço de conservação é o monóculo térmico, equipamento que permite detetar animais através da radiação térmica emitida pelo corpo, mesmo em total ausência de luz. Ao contrário das câmaras convencionais, este dispositivo consegue identificar diferenças de temperatura no ambiente, tornando possível localizar animais camuflados pela vegetação, escondidos entre rochas ou em movimento durante a noite, período em que muitos predadores estão mais ativos.
O método é realizado através da ação de dois observadores. Um deles controla o monóculo, enquanto o outro observa as imagens em tempo real num tablet. Em diversos pontos ao longo da colónia, a equipa utiliza a técnica de varrimento para assegurar a cobertura integral da área de estudo.
A utilização deste equipamento traz várias vantagens para o trabalho de campo. Para além de aumentar a eficácia da monitorização noturna, o monoculo térmico permite reduzir a perturbação nas colónias, já que os técnicos conseguem observar os animais à distância. Esta abordagem melhora a recolha de dados sobre a presença e comportamento de espécies invasoras e ajuda a identificar áreas prioritárias para futuras ações de controlo e conservação.
Além do método ser promissor para a deteção de predadores, é possível muitas vezes visualizar as aves em voo e assim, de forma indireta, identificar novos ninhos até então desconhecidos.
No entanto, mesmo com todas as vantagens desta técnica, existem algumas limitações. Uma vez que se trata de um equipamento que utiliza fontes de calor e as colónias estão relativamente expostas à radiação solar, a temperatura absorvida pelas escarpas basálticas dificulta a observação e o censo das espécies. Outro fator a considerar é a distância a que os objetos de estudo se encontram, visto que, quanto maior a distância, menor a resolução dos objetos observados. Muitas vezes, as observações são de baixa qualidade, o que dificulta o processo de identificação das espécies.
Os primeiros resultados já demonstram o potencial desta abordagem. Durante as ações de monitorização realizadas em duas colónias de aves marinhas da Madeira, foi possível detetar a presença de mais de uma dezena de cabras, três furões, dois gatos e cerca de oito coelhos. Para além destas espécies identificadas, foram também registadas mais de duas dezenas de formas e silhuetas cuja identificação ainda não foi possível confirmar.
Estas observações confirmam a importância de continuar a investir em tecnologia aplicada à conservação, permitindo recolher informação essencial para proteger espécies vulneráveis e restaurar o equilíbrio dos ecossistemas insulares.